BH em Debate
Você está em : Inicial > BH em Debate > BH Cidade Parque

BH Cidade Parque

Plantar árvores é arma poderosa contra a poluição urbana


Plantar árvores é arma poderosa contra a poluição urbana

No fundo do quintal ou no portão de casa, a árvore que oferece sombra no calor denso também pode ser um elemento-chave contra a poluição urbana. Assim aponta um estudo da Universidade Parthenope de Nápoles, na Itália. Pesquisadores descobriram que, plantando 20% a mais de árvores em grandes cidades, é possível dobrar os benefícios fornecidos por essas plantas ao meio ambiente e aos habitantes, incluindo redução da poluição no ar e na água e das emissões de carbono. O estudo, publicado recentemente no jornal Ecological Modelling, reforça a importância das pequenas áreas verdes no equilíbrio ambiental.
 
Theodore Endreny e sua equipe utilizaram a ferramenta on-line i-Tree Canopy para estudar florestas urbanas de 10 grandes cidades: Pequim, Buenos Aires, Cairo, Istambul, Londres, Los Angeles, Cidade do México, Moscou, Mumbai e Tóquio. “Trabalhando em grandes cidades, alcançamos as maiores áreas urbanas e de população, o que nos permitiu atingir uma alta eficiência na prestação de serviços, melhorando o bem-estar humano e a biodiversidade”, diz Theodore Endreny, justificando a escolha dos locais.
 
Na análise, foram consideradas questões como as espécies arbóreas, a população humana, a poluição no ar e o uso de energia. Os pesquisadores calcularam que florestas urbanas ocupam, em média, 20% da área de cada uma das 10 cidades, que têm o potencial para dobrar a cobertura arbórea e mudar consideravelmente a vida dos moradores. A equipe construiu um modelo de cobertura para cada cidade e concluiu que a ação dobraria benefícios como redução de poluição do ar, economia de energia e fornecimento de alimentos.
 
Juntos, esses benefícios renderiam em torno de US$ 500 milhões por ano. “Com o aumento das árvores, essas pessoas vão ter a limpeza imediata do ar ao redor. Vão receber esse resfriamento direto da árvore, até comida e outros produtos. Existe potencial para aumentar a cobertura das florestas urbanas em nossas megacidades, e isso faria com que elas ficassem mais sustentáveis, se transformassem em melhores lugares para viver”, ressalta Theodore Endreny, em comunicado.
 
Para a engenheira ambiental Roberta Costa e Lima, a vantagem que mais se destaca das florestas urbanas é a capacidade de remoção de poluentes do ambiente, como a captação de gases tóxicos. “Ruas bem arborizadas podem filtrar grande parte da poeira em suspensão no ar”, exemplifica. Segundo a especialista, os resultados constatados no estudo italiano podem se repetir em outras cidades do mundo. Brasília, inclusive, é um exemplo de local planejado para abrigar grandes áreas verdes. “O objetivo era criar uma cidade com grande quantidade de espaços urbanos livres, que contribuíssem para melhor circulação, arejamento, salubridade e insolação. Ou seja, o contrário das cidades muito urbanizadas e poluídas”, diz.
 
Por conta própria
 
Há ainda os esforços individuas para aumentar a área verde. Sara Joffily, 68 anos, cultiva diversos tipos de árvores no quintal de casa, na Cidade Ocidental. Ela sempre teve o desejo de plantar, mas não sabia como fazer. Um curso de sistemas agroflorestais a ajudou a dar os primeiros passos. Agora, as práticas verdes ganharam espaço também dentro de casa, nas práticas do dia a dia. “Tenho um balde dentro do meu box e limpo o chão da minha casa com a água colhida do banho. Não tenho máquina de lavar, apenas um tanquinho. Colho a água dele e rego as plantas. Fui desenvolvendo uma habilidade ecológica e vejo que pouca gente tem o que tenho hoje”, lista a aposentada.
 
Roberta Costa e Lima alerta que o processo de arborização deve ser bem planejado. Com a assistência de pessoas especializadas, como engenheiros agrônomos, para que a árvore não seja plantada perto de caixas de telefone, fiação e esgotos.  “Para promover a longevidade das árvores, a redução nos custos de manutenção e a valorização e conservação dos recursos naturais regionais pela população urbana”, explica. Outro ponto a se verificar é que a espécie escolhida seja nativa do bioma local. “O uso de uma espécie exótica também pode ser feito, mas é importante observar se ela tem boa adaptação no ambiente onde será plantada” sugere.
 
Segundo a Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital), existem no Distrito Federal em torno de 5 milhões e meio de árvores. Por ano, 120 mil novas mudas são plantadas. O Plano Piloto é o local mais arborizado, seguido de cidades mais antigas, como Sobradinho, Ceilândia e Planaltina. “Existe potencial para aumentar a cobertura das florestas urbanas em nossas megacidades, e isso faria com que elas ficassem mais sustentáveis, se transformassem em melhores lugares para viver” afirma Theodore Endreny, pesquisador da Universidade Parthenope de Nápoles e autor do estudo.
 

Envolvimento deve ser geral
 
Apesar de estudos como o conduzido na Universidade Parthenope de Nápoles constatarem a importância das áreas verdes urbanas, segundo Carla Freitas, professora de arquitetura e urbanismo da Universidade Católica de Brasília, o processo de arborização das cidades costuma ser lento, principalmente por falta de políticas públicas. “Desde os anos de 1920, existe essa ideia de cidade industrial e poluída envolvida por cinturões verdes, as chamadas cidades jardins. É preciso haver uma sensibilização da ponta que executa, o governo, os gestores”, defende.
 
Theodore Endreny, autor do estudo italiano, concorda que as autoridades precisam mudar a percepção quanto ao uso de recursos naturais e deixar as cidades o mais sustentáveis possíveis, mas o cientista ressalta que esse assunto deve ser uma preocupação generalizada. “Todos podem agir para aumentar as áreas da floresta urbana das cidades, não apenas os planejadores”, defende.
 
O discurso é o mesmo de Marcos Woortman, idealizador do projeto Viveiro do Lago Norte. “Meio ambiente é responsabilidade de todos. Então, a gente tem que fazer mais que a nossa competência. Por isso, eu convido as pessoas a receberem doações de mudas e plantarem onde quiserem. A maioria que recebe planta em casa”, diz.  O projeto começou em 2015, em um trabalho com moradores do Lago Norte e órgãos do governo em que foram mapeadas 110 nascentes degradadas.  A solução encontrada pelo grupo foi cultivar mudas do cerrado para a recuperação dessas áreas.
 
Hoje, mudas são doadas também para moradores de outras cidades e do Entorno, que as usam para arborizar parques, escolas, praças e o próprio quintal. Simone Carrara, 49 anos, recorre à iniciativa para turbinar o projeto Poranga no Lago Norte. “O primeiro plantio que fizemos foi no Jardim Botânico. Plantamos 3 mil mudas no córrego Cabeça de Veado para recuperar a área degradada, recuperar a área de nascente”, conta a dentista criadora da iniciativa. O Lago Norte e o câmpus da Universidade de Brasília também já foram beneficiados. (SS)

Fonte: Correio Braziliense

Postado por Jorge Espeschit em 07/02/2018

Pontuação

Média: 5.0
Avalie
12345


0 Comentário para "Plantar árvores é arma poderosa contra a poluição urbana"
Seja o primeiro!

Faça seu Comentário

*Todos os campos são obrigatorios













Desenvolvido por JeffBastos