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Participação Cidadã

Chile: mão na massa pelas áreas verdes




É possível uma cidade onde os habitantes, além de usuários, sejam os criadores, construtores e administradores dos seus espaços públicos?

Sim, foi isto o que a fundação chilena Mi Parque (Meu Parque) compreendeu, rompendo com a indiferença e a falta de compromisso dos próprios habitantes em relação a seus lugares de convivência. Para alcançar esse objetivo, ela fomenta iniciativas em espaços públicos degradados, trabalhando estratégias de participação cidadã: os próprios moradores se engajam no projeto, gestão e recuperação desses espaços.

Uma das situações que desiludem os cidadãos frente ao poder público é quando solicitam algo de que necessitam, e tal coisa acaba mal implementada, resultando no contrário do que imaginavam. Um bom exemplo são as chamadas áreas verdes, sobretudo aquelas localizadas em bairros de baixa renda. Em geral, são na verdade áreas cinza, de aspecto sombrio, onde as únicas cores são as trazidas pela sujeira e dejetos, transformando-as em “terra de ninguém”, lugares marginais a poucos passos das casas dos moradores. Abandonados à sorte, ao invés de criar oportunidades de lazer, esses espaços contribuem para piorar a qualidade de vida dos cidadãos.

A Mi Parque surgiu em outubro de 2007 com o intuito de criar ou melhorar os espaços verdes dessas zonas socialmente vulneráveis. Com o slogan “Suje suas mãos pelas áreas verdes”, a fundação propõe um novo olhar sobre estes locais descuidados, onde a dignidade das pessoas passe a ser também estendida ao entorno das suas residências. Cada família participante no projeto, por exemplo, pode apadrinhar e inclusive batizar uma árvore, e costuma-se trabalhar o paisagismo com espécies de baixo consumo hídrico e adequadas para o tipo de clima.

Essas iniciativas reforçam o espírito comunitário e criam oportunidades para aprender alguma habilidade nova. As pessoas se apropriam dos espaços esquecidos e os enriquecem plantando árvores e construindo o mobiliário urbano com materiais reciclados de demolições ou doações de empresas.

O sucesso da fundação depende de parcerias público–privadas que destinam recursos para as comunidades mais necessitadas. As empresas podem apadrinhar uma praça, aportar os recursos para a jornada de trabalho de construção de benfeitorias ou de plantação de árvores. Além disso, qualquer um pode fazer doações mensais de 1 m2 de área verde, que custa $10.000 pesos chilenos (aproximadamente R$ 40,00), depositando o dinheiro na conta corrente da fundação ou trabalhando como voluntário. Com os recursos que consegue captar, A Mi Parque também disponibiliza as ferramentas necessárias para a realização dos projetos. Mas seu grande êxito é envolver a vizinhança ativa na melhoria dos parques e fazê-los se sentir responsáveis pelo seu destino.

* Fernando Espósito é arquiteto e professor da PUCV Valparaiso, Chile.

Postado por Jorge Espeschit em 29/11/2010

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