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BH se consolida como polo de biotecnologia



Glória Tupinambás - Cristiana Andrade - Estado de Minas

Do casamento perfeito entre inovação, tecnologia e criatividade nascem ferramentas para melhorar a qualidade de vida das pessoas e transformar o bem-estar social. Belo Horizonte se consolida como a nova capital high-tech do Brasil e dos laboratórios e pátios de empresas de última geração surgem importantes descobertas. Elas vão da extração de proteínas do leite para a alimentação clínica ao cultivo de células para teste de medicamentos sem uso de animais como cobaias. Da produção de anticorpos sintéticos a materiais de construção estruturados com nanotecnologia. E da criação de um programa de controle de cargas elétricas via internet até o desenvolvimento de sistemas de informação e comunicação.

Esses celeiros de ideias respondem pelo nome de incubadoras de empresas. Elas movimentaram no ano passado R$ 124 milhões, criaram 1.726 novos produtos e serviços inovadores e geraram 9.685 empregos, segundo o Sistema Mineiro de Inovação, ligado à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Simi/Sectes).

Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a referência é a Inova, que apoia iniciativas de todas as áreas do conhecimento e já graduou mais de 60 empresas e projetos desde a sua fundação, em 1996. Na iniciativa privada, a Habitat se destaca em negócios de biotecnologia e biociências. Criada por convênio entre a Fundação Biominas, o governo estadual, a prefeitura e a UFMG, a incubadora dá suporte hoje a 20 empresas residentes.

Uma das mais promissoras é a Edetec Indústria Alimentícia, que já registrou até patentes na área de produção de alimentos para nutrição clínica. Do soro do leite, normalmente jogado no lixo pelos laticínios, um grupo de pesquisadores da empresa consegue extrair proteínas e transformá-las em rico pó usado na dieta de pacientes em hospitais. A tecnologia nasceu nos laboratórios da Escola de Farmácia da UFMG, recebeu investimentos do Fundo Criatec do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e é um rentável negócio na Habitat. “O trabalho era uma linha de pesquisa, para a qual desenvolvemos uma tecnologia especial, e agora temos patente no mercado. Desde então, estamos em busca de investimentos para construir uma fábrica”, explica o diretor industrial da Edetec, Wendel Afonso.

No laboratório ao lado, a inovação fica por conta da In Vitro Cells, que, desde 2009, faz análises de qualidade em cosméticos. Cremes e rímeis antes testados em coelhos agora são aplicados em células cultivadas ou em córneas de animais mortos para a indústria alimentícia. O cuidado para evitar cobaias rende às empresas com produtos aprovados pela In Vitro Cells um selo verde. “Fazemos testes de segurança em cosméticos e o diferencial é a redução ou até a eliminação de animais em nossos experimentos. As pesquisas começaram no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) e na Escola de Farmácia da UFMG e hoje temos seis funcionários na empresa incubada na Habitat”, conta a diretora financeira Ana Cristina Amâncio.

Em modernos microscópios e equipamentos de última geração, pesquisadores do Centro de Pesquisa em Biotecnologia (Cebio) trabalham pela saúde pública. Referência na prestação de serviços para a indústria farmacêutica, a empresa faz testes de absorção de medicamentos, uma das exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para autorizar a venda dos produtos. “Nosso trabalho é importante para a produção de genéricos e similares, pois analisamos se os medicamentos são tão seguros e eficazes quanto os de patente original”, afirma o coordenador do laboratório analítico da Cebio, Thales Ribeiro Cardoso.

Foi a competência regional que ajudou a capital a fortalecer esse caminho pela busca de mais investimentos em empresas tecnológicas. Segundo Fabrício Martins, gestor de parcerias do Simi/Sectes, o movimento teve início na UFMG, principalmente pelo fato de a universidade ser excelência em diversos cursos de pós-graduação. “O que houve foi que as experiências transbordaram da universidade para a sociedade, para o mercado. Eram professores e recém-formados que queriam investir em empresas para dar continuidade a pesquisas e projetos. E isso é tudo novo, coisa de 15 anos para cá. Daí, empresários perceberam que inovação e tecnologia davam futuro. A Fumsoft e a Biominas foram criadas na década de 1990”, diz.

Integração

Em terreno de 9 mil metros quadrados no Bairro Horto, a Habitat/Biominas vai integrar o novo projeto da Cidade da Ciência e dar ainda mais visibilidade e criatividade produzida em seus laboratórios. “Vejo com ótimos olhos a iniciativa, que vai ajudar a consolidar BH e Minas como importante polo de biotecnologia. A interação vai trazer facilidades para que as inovações e os produtos se transformem em melhorias de saúde e vida da sociedade”, explica o presidente da Biominas, Eduardo Emrich.

A região é privilegiada: na Avenida José Cândido da Silveira passam 13 linhas de ônibus, há duas estações do metrô, ela tem saída para Sabará e está ao lado da Linha Verde.

Postado por Jorge Espeschit em 30/05/2011

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