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Trabalho e Desenvolvimento Econômico

Explode oferta de emprego em BH



Uriel Maciel, moldureiro recém-contratado por loja do Boulevar Shopping, ganhava a vida informalmente, como tatuador   (Marcos Vieira/EM/D.A Press)  
Uriel Maciel, moldureiro recém-contratado por loja do Boulevar Shopping, ganhava a vida informalmente, como tatuador


Não se deve reclamar de trabalho, já recomendam os mais experientes. Se a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) seguir o conselho, estará rindo à toa com os números da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgados nessa quarta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Enquanto a média nacional da taxa de desemprego cravou 10,9% em agosto, na RMBH ela ficou em 6,7%; em julho, era de 7,6%. A queda, impulsionada desta vez pela redução da população economicamente ativa, está inserida em contexto de prosperidade na geração de empregos na região da capital mineira.

Na comparação com as outras capitais e regiões metropolitanas brasileiras, os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que BH e região também puxam para cima as médias nacionais na geração de novos postos de trabalho. Levantamento feito a partir das informações da Pesquisa Mensal de Emprego desde o final de 2008, com o ápice da crise econômica de então, até agosto último, revela que o emprego na RMBH cresceu 8,6%, ante os 4,1% da média nacional.

A explicação é histórica. Está na maneira como a cidade e o estado se desenvolveram economicamente. “As atividades que a região atraiu, ao longo do tempo, e como elas se comportam nos períodos de crescimento são o que justifica o fato de Belo Horizonte estar acima da média nacional da geração de empregos”, acredita Antonio Braz, analista do IBGE. Gabrielle Selani, coordenadora técnica da pesquisa do Dieese, lembra que o cenário deve ser ainda melhor nos próximos meses: “Esperamos que essa taxa de desemprego continue diminuindo, deve descer assim, de forma suave, com as contratações sazonais de fim de ano”.

Olhar atento a cada um dos setores produtivos mostra que a RMBH se destaca ainda mais; muitas vezes ficando acima do dobro da média. Na geração de empregos na indústria, avançamos 11,1%, desde 2008. A média nacional indicou aumento de 4,5%. A construção civil criou 22,3% mais empregos em Minas, no período, contra os 10,7% registrados nacionalmente. E, se a média brasileira de criação de empregos no comércio foi negativa (-1,5%), em Minas, a criação de postos de trabalho no setor avançou 5,5%.

Com isso, o moldureiro Uriel Maciel, de 28 anos, é só alegria. Recém-contratado da loja Moldura Minuto, no Boulevard Shopping, ele já estava procurando emprego há oito meses, fazendo bicos como tatuador. “Não tinha nenhuma experiência com molduras, mas sempre tive facilidade para aprender trabalhos manuais. Hoje, já estou dominando aqui”, diz. O desemprego oculto, justamente a situação em que se encontrava Uriel antes da carteira assinada, também tem forte tendência de queda, segundo Selani. “Em janeiro de 2003, o desemprego oculto representava 42% do desemprego total. 

Agora, corresponde a 12%”, diz a especialista, destacando que a circunstância do desempregado que se equilibra de bico em bico é a forma de desemprego mais difícil de combater, porque mascara a situação real.

Outra que ri de orelha a orelha é a arquiteta Danielle Soares Moreira, de 25 anos: “Me formei na faculdade no fim do ano passado e disparei currículos para mais de 30 empresas. Como estava desesperada, me matriculei numa pós. Lá, eu entrei em contato com pessoas que já estavam no mercado, que me indicaram para a vaga”, conta ela, que há dois meses trabalha como projetista na Loja Elétrica.

Análise da notícia: Perfil de gigante

Ver a Grande BH tradicionalmente abaixo da média nacional de desemprego e acima na criação de novos postos de trabalho são frutos dos investimentos vultuosos no estado, especialmente nos últimos anos, sobretudo em siderurgia, mineração e construção civil. No último ano, a economia mineira comemorou o fôlego chinês do crescimento no PIB de 10,9% (na verdade, 0,6 ponto percentual acima do desempenho da locomotiva asiática), turbinada pela expansão da indústria extrativa mineral. Setores sensíveis são os primeiros a chorar as crises e, também, a celebrar as retomadas. Por isso é preciso atenção ao boom de empregos, impulsionado pelo avanço de atividades que são afetadas diretamente pelos melindres das cotações do mercado internacional (siderurgia e mineração) e pelo aumento da renda no mercado interno (construção civil). (FB)

Estado de Minas - Frederico Bottrel

 

Postado por Jorge Espeschit em 30/09/2011

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