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Exposição mostra sincretismo religioso na capital



O Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) apresenta a exposição “Vozes do Silêncio: memória cultural – a materialização do intangível na cultura religiosa de Belo Horizonte”, em parceria com o Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte. Instalada no andar térreo do casarão secular do Museu, a mostra revela aspectos do patrimônio imaterial da religiosidade na capital. As festas tradicionais e populares de diversas manifestações religiosas são apresentadas por meio de objetos, fotos, músicas e sensações, elementos que possibilitam a percepção do fenômeno religioso em Belo Horizonte. A exposição pode ser vista às terças, sextas, sábados e domingos, das 10 às 17h, e nas quartas e quintas, das 10 às 21h. A entrada é gratuita.

“Vozes do Silêncio” mostra ao público a rica diversidade dessas manifestações: as festas de devoção ao Santíssimo Sacramento e as procissões de Corpus Christi, do rito católico ocidental, instituídas pelo Vaticano; o sacramento do matrimônio na Igreja Oriental Católica, cuja cerimônia de impostação das coroas é acompanhada de recitais cantados que rememoram fundamentos do Antigo Testamento; a Páscoa judaica, que representa a passagem do povo de Israel do cativeiro no Egito para a liberdade na Terra Prometida, celebrada com a festa de Pessach, na qual é narrada a história do Êxodo com leituras de bênçãos, de parábolas e canções judaicas; o Adhan, chamamento que anuncia a hora de iniciar as orações da comunidade muçulmana, e o Khutba, culto que antecede a oração, um dos principais ritos do Islam. 

A exposição mostra ainda as manifestações religiosas de nossas raízes africanas e indígenas: os Congados, também denominados Reinados e Irmandades de Nossa Senhora do Rosário, com seus santos de devoção, em geral, santos negros, como São Benedito e Santa Efigênia, ou santos populares, como Santo Antônio, Santana, São Jorge, Nossa Senhora das Mercês; as cerimônias religiosas do Candomblé, de origem africana, constituídas a partir de diversas raízes, com suas tradições e divindades; os ritos xamânicos da tribo indígena Maxakali, para quem a alma humana é a palavra, que é eterna e seu destino é tornar-se canto. 

A intenção é perceber e mostrar a complexidade cultural que caracteriza o território da cidade de Belo Horizonte, que é multiétnico e híbrido, lugar onde tradição e modernidade coexistem, redefinindo-se e reproduzindo-se a cada momento. Faz uma reflexão sobre esse sincretismo religioso, divergente na forma, mas uníssono na percepção coletiva, que acomoda e faz ecoar as diversas vozes da fé. Mostra, portanto, a dimensão religiosa centrada na multiculturalidade e na tendência ecumênica de sentido popular dos sistemas sincréticos, que se apóiam em uma cultura religiosa em constante ampliação.

Postado por Jorge Espeschit em 02/02/2012

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