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Experiências Inovadoras

INOVAÇÃO, CONEXÕES E CULTURA



 

 Ana Carla abordou como a criatividade pode mudar nossa cidade

 Por Paôla Oliveira


O último Língua Afiada do ano, 15 de dezembro, um dos programas que integram o Toda Quinta e Muito MMMAIS, trouxe uma reflexão pertinente ao cenário contemporâneo de adaptações das cidades diante das mudanças políticas, econômicas, culturais e sociais da atualidade. A especialista internacional em Economia Criativa, Ana Carla Fonseca Reis, explicou durante sua palestra como os museus se inserem no contexto das cidades criativas e qual é o papel deles nesse espaço social colaborativo. “Um museu não transforma um espaço sozinho, deve haver diálogo com outros equipamentos, com políticas públicas. Sem espaço público, não há cidade criativa”, disse. Ana Carla também defendeu o reconhecimento da criatividade como um novo ativo econômico fundamental para as cidades. “A cidade criativa é onde existem ambientes mais estimulantes, tanto para o cidadão quanto para a economia. A gente se torna cada vez mais criativo, quanto mais criativa for nossa cidade”, falou Ana Carla.

 

Ana Carla na abertura da palestra

 

Durante a palestra, Ana Carla Fonseca deu vários exemplos sobre cidades que se tornaram criativas ao longo dos anos. Uma delas é Abu Dhabi, que encontrou na cultura, uma alternativa para sua futura sobrevivência econômica, que não seja somente o petróleo. A cidade decidiu investir no turismo e está criando um Distrito Cultural com cinco grandes equipamentos culturais, entre eles a primeira franquia do mundo do Museu do Louvre (França). O projeto audacioso e milionário pretende trazer mais de 1 bilhão de turistas a Abu Dhabi e gerar cerca de 12.600 empregos. Outro caso de sucesso foram algumas ações desenvolvidas em Bilbao, na Espanha, ao longo de 25 anos. A cidade, caracterizada pela atividade mineradora, eminência de terrorismo, degradação urbana e fragilidades sociais, se transformou durante esses anos em torno de 25 ações, entre elas o Museu Guggenheim, inaugurado em 1997. O museu nasceu em um período em que a economia da cidade ainda se recompunha e demorou cerca de 10 a 15 anos para ser definitivamente apropriado pela sociedade. Atualmente, Guggenheim já cobre de 70 a 75% de seu orçamento e é uma das maiores atrações turísticas da cidade, juntamente com outros equipamentos culturais envolvidos na ação, e já recebeu, até 2007, 1 milhão de turistas.

 

Ana Carla finalizou sua palestra abordando a importância do papel dos museus nas três características das cidades criativas, sendo elas inovação (olhar constante para superar e evitar problemas), conexões (espacial, cronológica, ambiental) e cultura (valores, impactos econômicos e ambiente estimulante). “Museu não é um produto, é um processo. Você nunca sai de um museu do que jeito que você entrou. Pensamos nas cidades como um arquipélago de bairros e ela deve ser pensada como um sistema. Devemos trabalhar a emoção, a afeição das pessoas nas cidades”, disse. A especialista internacional ainda sorteou exemplares do livro “Cidades Criativas – Perpspectivas”, o primeiro estudo realizado sistematicamente sobre cidades criativas com autores de vários países do mundo atuando em um projeto colaborativo. Ana Carla, organizadora da obra, esteve em Belo Horizonte lançando o livro, em setembro deste ano.

 


Um dos participantes da palestra, Alex Fafe, produtor cultural, achou muito importante a abertura deste espaço para discussão do tema. “O papel do museu é fundamental para contar a história da cidade em um espaço de discutir e formar pessoas na área cultural. A cidade está se desenhando em um projeto para ser uma cidade cultural. Com grandes investimentos, a gente vê que ela se prepara para ser uma referência de cultura”, falou Alex. A economista, Diomira Faria, também veio à palestra atraída pela rica discussão da especialista internacional. “Eu vim aqui porque já conheço alguns livros dela e acho a temática da Ana Carla, em termos da valorização da cultura e em especial do papel dos museus, fundamental. E agora, com o Circuito Cultural Praça da Liberdade e todo o acervo cultural, Belo Horizonte tem tudo para cada vez mais se tornar uma cidade com pessoas criativas”, contou a economista. Ana Carla se despediu do MMM falando da importância do projeto Toda Quinta e Muito MMMAIS no cenário atual da cidade. “A proposta que vocês têm não só no Circuito, mas especialmente no museu, de trabalhar às quintas-feiras com um olhar mais carinhoso, transversal e utilizando diferentes vertentes com temáticas variadas é mais que bem - vindo, em especial neste momento que estamos discutindo a cidade de Belo Horizonte com mais afinco. A contribuição que vocês trazem, não só é muito pertinente ao trabalho do museu, mas é muito oportuna para o momento que Belo Horizonte vive”, finalizou Ana Carla Fonseca.


O Toda Quinta e Muito MMMAIS é realizado pelo Ministério da Cultura e pelas empresas LLX, MPX e OSX, do Grupo EBX. 

 

Postado por Jorge Espeschit em 17/03/2012

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