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Cidades passam de vilãs para heroínas da crise ambiental


Cidades passam de vilãs para heroínas da crise ambiental

A disputa entre preservação ambiental e construção sempre foi um campo de acaloradas discussões, porém se antes as cidades eram vistas como uma das causas da degradação, hoje parecem ser a solução. A concentração de pessoas reduz o consumo de recursos naturais, mantém vastas áreas ricas em biodiversidade livre da interferência humana e cria um solo fértil para inovações.

 

“As cidades desenhadas corretamente são a solução. E de qualquer maneira este é o padrão. Em todos os países em desenvolvimento, você tem um movimento muito significativo das pessoas indo do campo para as cidades”, afirma o arquiteto chinês Chien Chung Pei, famoso pela construção de torres arranha-céu, museus pós-modernos e a pirâmide do Museu de Louvre, em Paris.

 

Pei ressalta, no entanto, que a intervenção de arquitetos, urbanistas, engenheiro e todos responsáveis pelo desenho urbano deve ser feita de forma cuidadosa, para que cidades se mantenham habitáveis para um número crescente de pessoas. A cada semana, as áreas urbanas de todo o mundo recebem um milhão de novos indivíduos.

 

“Nós precisamos trabalhar para diminuir a lacuna entre o muito rico e o muito pobre, sem tirar o incentivo para criar. A humanidade se torna melhor porque criamos coisas novas, nós inventamos, fazemos arte, escrevemos novos livros. Este é o nosso impulso”, diz Pei.

 

Para o brasileiro Oliver Hillel, coordenador do Programa de Biodiversidade e Cidades da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas, a melhor maneira de poupar o meio ambiente é criar uma ocupação mais intensiva e menos extensiva. “O crescimento vai ocorrer de qualquer jeito, não precisa ser incentivado. O que precisamos incentivar é a formação e o desenvolvimento correto das cidades, de forma que a biodiversidade já esteja incorporada no próprio design, no próprio planejamento urbano”, disse ao jornal O Estado de São Paulo em uma entrevista recente.

 

O arquiteto argentino Máximo Rumis, especialistas em design urbano, alerta que a combinação do consumo atual de recursos, o aumento populacional e os danos ambientais têm trazido conseqüências nefastas para algumas civilizações e as cidades são parte importante desta crise.

 

“Temos algum tempo para reverter certas questões. O aquecimento global, por exemplo, está mexendo com o mundo e pode levar a catástrofes inesperadas. Cerca de 48% das emissões de dióxido de carbono (CO2) dos EUA vem das edificações”, afirma. 

 

Modelo de urbanização norte-americano

 

 

Rumis descreve os modelos de desenvolvimento de cidades americanas baseada nos subúrbios residenciais, por exemplo, como um dos grandes problemas. O consumo energético em cidades como Houston e Detroit é 15 vezes maior que o de Hong Kong, principalmente devido ao tipo de transporte utilizado, o automóvel.

 

O padrão de urbanização dos EUA é, segundo Rumis, é baseado em divisão de setores econômicos, shoppings centers com grandes estacionamentos, torres de office parks altas, escolas afastadas onde só se chega com carros e grandes autopistas que “dissecam a vida em sociedade”.

 

“Estas cidades são amebas: pontos separados de atividades unidos por uma grelha. Uma mãe norte-americana passa 17 dias completos atrás do volante só para transportar o filho”, comenta Rumis.

 

Para o arquiteto e urbanista, a cidade do futuro irá juntar todas as atividades que necessitamos em um só lugar. “Será compacta, densa, central, diversa, com usos mistos e ambientes que incentivem a caminhada”, descreve.

 

Contudo, o arquiteto Rubén Pesci, diretor da UNESCO para desenvolvimento sustentável, lembra que é preciso reciclar as cidades antigas antes de construir novas. “É a cidade real que temos que transformar, não criar condomínios novos. Temos que fazer grande, não pequeno”, afirma, criticando projetos de novo urbanismo que propõe criar bairros que são uma espécie de mini-cidades, pois atendem todas as necessidades dos moradores.

 

 

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

Postado por Jorge Espeschit em 15/08/2008

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3 Comentários para "Cidades passam de vilãs para heroínas da crise ambiental"

  1. Carminha Vasconcelos 30/09/2008

    Adorei ler td isto! Mas...tambem acho q é imprescindivel reciclar as cidades ja existentes,mesmo sabendo q não é tarefa facil.Vou tomar com exemplo Nova Lima MG,mto proxima a BH.Muitas possibilidades de recuperações. E existem tantas outras cidades q valeria a pena tentar.

  2. Analuce Abreu 17/08/2008

    Adorei o assunto e a abordagem. Concordo com a necessidade de humanização das cidades, que hoje em dia se tornou uma grande fonte de Stress. Para além das grandes distâncias a serem percorridas diariamente pelas pessoas, nas idas e vindas ao trabalho,responsáveis por poluição atmosférica por emissão de CO e CO2 nas cidade, pais e mães almejam aflitíssimos, uma convivência social, regular e mais humana, junto as suas famílias e amigos. Penso que ainda há tempo para revermos valores, conceitos e aplicá-los em nossas vidas, na arquitetura urbanística das cidades, nas relações de trabalho, enfim no campo sócio-econômico, físico estrutural, filosófico e educacional, para que possamos garantir que os Homo sapiens mantenham e realcem sua humanidade, ainda que em metrópoles.

  3. Analuce Abreu 17/08/2008

    Adorei o assunto e a abordagem. Concordo com a necessidade de humanização das cidades, que hoje em dia se tornou uma grande fonte de Stress. Para além das grandes distâncias a serem percorridas diariamente pelas pessoas, nas idas e vindas ao trabalho,responsáveis por poluição atmosférica por emissão de CO e CO2 nas cidade, pais e mães almejam aflitíssimos, uma convivência social, regular e mais humana, junto as suas famílias e amigos. Penso que ainda há tempo para revermos valores, conceitos e aplicá-los em nossas vidas, na arquitetura urbanística das cidades, nas relações de trabalho, enfim no campo sócio-econômico, físico estrutural, filosófico e educacional, para que possamos garantir que os Homo sapiens mantenham e realcem sua humanidade, ainda que em metrópoles.

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