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Patrimônio Histórico e Cultural

Quartel de Santa Efigênia: a fortaleza de Belo Horizonte





Em 1897 Belo Horizonte ainda era um arraial chamado Curral del Rei quando uma importante construção, que ainda hoje está instalada no mesmo lugar, começava a ser erguida na região Leste da capital. Trata-se do prédio do 1º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais, construído na antiga Praça Belo Horizonte, hoje Praça Floriano Peixoto, no bairro Santa Efigênia. Somente após dois anos do processo de edificação, devido a um incêndio ocorrido ainda durante a construção, o quartel ficou pronto para receber o Primeiro Corpo da Militar da Província de Minas Gerais, comandada pelo tenente coronel José Victoriano de Oliveira Moura. A criação do órgão foi necessária para atender as demandas por segurança pública do estado e foi parte da reestruturação ocorrida na então Força Policial de Minas Gerais. A relevância do prédio na cidade pode ser constatada pelo fato de o bairro onde está instalado ter o mesmo nome da padroeira dos militares. 

Quase 100 anos depois, já em 1984, o imóvel foi tombado pelo governador Tancredo Neves, por meio do Decreto 23.808/94. No âmbito municipal, o tombamento ocorreu pela deliberação 3/94, feita pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte (CDPCMBH). A construção em arquitetura eclética foi elaborada como uma fortaleza capaz de resguardar a tropa em locais estratégicos para a defesa e também para resposta ao inimigo, o que pode ser comprovado pelas inúmeras claraboias dispostas em toda a sua extensão e de onde os soldados poderiam acionar as metralhadoras. A unidade foi inaugurada com 382 homens entre soldados, cabos, sargentos, alferes, tenentes, capitães, um major e um tenente-coronel entre os 1.500 que formavam a instituição policial no Estado.

Em um maciço de 1,10 m de espessura a parede da fachada foi erguida, enquanto as outras possuem 70 cm. O objetivo principal era resistir aos ataques, até mesmo de disparos de canhão. Passados os anos de guerras e batalhas, a polícia teve que se adaptar à nova realidade e ao comportamento da sociedade. “O 1º Batalhão serviu de força auxiliar do exército, aquartelado e, a partir de 1969, a força policial passou a ir para a rua”, contou o subcomandante da unidade, o major Alfredo José Veloso. A partir dessa época, mudou-se o tipo de trabalho desempenhado pela corporação. “Houve aproximação da polícia com a população, utilizando um perfil mais ostensivo e marcando a o rompimento desse modelo antigo, passando a fazer o trabalho preventivo e não mais apenas por demanda”, comentou. 

Primeiro grande incêndio de BH

Mas a grandiosa estrutura não foi capaz de contar um inimigo inesperado: o fogo. No dia 6 de abril de 1898 o primeiro grande incêndio da cidade não poupou o quartel do 1º Batalhão, que sofreu graves avarias. O prédio, projetado por Edgar Nascentes Coelho sob a empreitada e responsabilidade do Conde de Santa Marinha, teve sua inauguração atrasada devido ao incêndio, que comprometeu parte significativa do novo edifício. Mas, atestando a importância da instituição e a despeito das dificuldades financeiras e orçamentárias (que àquela altura já comprometiam o cronograma das obras), sua edificação foi retomada e concluída, sendo concluída no dia 12 de maio de 1899. 

Combates

Com a transferência da capital de Ouro Preto para Belo Horizonte, o batalhão foi projetado para atender a nova comunidade. Segundo o coronel João Bosco de Castro, historiador da corporação, quando o 1º Batalhão da PM em Minas Gerais foi construído havia apenas outros três que atendiam toda a extensão territorial do Estado. No entanto, em casos específicos, o efetivo era convocado para missões especiais fora da jurisdição definida em lei. “Conta-se que Antônio Antunes de França, considerado um bandoleiro pelo governo, foi perseguido por homens do 1º Batalhão durante as duas primeiras décadas do século 20, no norte de Minas. Era um trabalho sério para debelar o crime. Equipes participaram de várias atividades de captura. Na época havia apenas quatro batalhões. O primeiro em Belo Horizonte, o segundo em Uberaba e os demais em Juiz de Fora e Diamantina”, disse o coronel.

A respeito de Antônio Dó, como era conhecido o cangaceiro, a literatura conta um pouco da sua história e de batalhas travadas na zona árida de nosso Estado. Em breve passagem do livro de mesmo nome do apelido do jagunço, escrito por Saul Alves Martins, é narrada a história do Lampião mineiro. “A Brigada perseguia-o tenazmente, cortando-lhes os atalhos, espreitando-o nos caminhos e encruzilhadas perigosas, buscando-o nas matas e bebedouros certos, nos carrascais, nos trilhos de gado ou assentadas de morros, identificando-lhe o rastro, caçando-o como se faz com a suçuarana comedeira de bezerros”. Em outra, conta a missão falha da companhia. “Num dos assaltos da Brigada contra Antônio Dó, a 1º de julho de 1913, o pior levou a força legal. Fugiram os remanescentes. No campo de batalha, jaziam mortos alguns soldados; e, entre estes, dois ou três feridos se arrastavam em tentativa de fuga. No entanto, o facínora puxa a lâmina e percorre o campo...”. Os guardas foram executados pelo algoz. 

Estrutura aberta

O prédio tem quadras poliesportivas e de peteca para o treino dos militares e estacionamento para cerca de 40 vagas, além de restaurante, alojamentos e banheiros que, juntos, chegam a aproximadamente 300 cômodos. A propósito, um deles, o Salão Nobre, é citado diversas vezes pelos militares que trabalham no local por sua beleza e ornamentação arquitetônica. Este espaço tinha como principal finalidade acomodar o governador, caso o acesso ao Palácio da Liberdade estivesse impedido. 
Sobre a oportunidade de conhecer os espaços da edificação centenária, o subcomandante explica como isso pode ser feito. “Visitas agendadas podem ser feitas, já que é um prédio público, para grupos escolares. O batalhão recebe muitas demandas de outros militares, de diversas partes do Estado, assim como do restante do país e de outros países, inclusive”, disse o major Alfredo. Mas apesar de não haver dias e horários distintos para visitações, a corporação avisa que os interessados podem ligar para a unidade, pelo telefone (31) 3307-0312e verificar a possibilidade.

Postado por Jorge Espeschit em 26/10/2012

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