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Patrimônio Histórico e Cultural

Colégio Arnaldo – aos 100 anos, patrimônio cultural reúne histórias e boas lembranças


Colégio Arnaldo – aos 100 anos, patrimônio cultural reúne histórias e boas lembranças

Algumas construções novas e modernas compõem a paisagem da avenida Brasil, no bairro Funcionários, mas nada chama mais a atenção de quem passa pelo local do que o prédio que abriga o centenário Colégio Arnaldo, situado entre as ruas Carandaí e Bernardo Monteiro. Se trata de um patrimônio cultural de Belo Horizonte, construído em um estilo arquitetônico eclético, com características barrocas, clássicas e medievais. O colégio completa cem anos em 2012, ocasião especial para o resgate de características originais do edifício, que passa por um processo de restauração e, aos poucos, retoma o charme desgastado pela ação do tempo. 

O edifício foi palco de muitas histórias em seus cem anos. Muitas delas curiosas, como a que o colégio foi suspeito de esconder canhões e armas durante a Primeira Guerra Mundial. “Em 1915, a instituição foi invadida por cerca de 400 pessoas, que buscavam armamentos bélicos e rádios que poderiam ser utilizados em espionagem pelos padres alemães a favor do país”, recordou o padre e ex-diretor, Renê Luiz Paulino de Oliveira. Segundo ele, os missionários abandonaram a cidade, as portas do Arnaldo foram fechadas e as chaves acabaram retidas pelo governo do estado. “A escola só foi reaberta em 1918 e sob a reitoria de um padre brasileiro”, contou Renê.

Fundado em 1912 pelo clérigo alemão Arnaldo Janssen, o colégio tinha apenas 40 estudantes do sexo masculino matriculados na época, por determinação da administração católica. Em 1915, o número de alunos triplicou, chegando a 120. Apenas em 1968 as meninas foram admitidas. Hoje a escola conta com cerca de 1.100 estudantes e 300 funcionários, e tem na lista de ex-alunos ilustres nomes como o do cirurgião plástico Ivo Pitanguy, dos escritores mineiros Carlos Drummond de Andrade e João Guimarães Rosa, além dos músicos Toninho Horta e Fernando Brant. Para homenagear antigos alunos, foram inaugurados no local alguns espaços especiais. Em 2000, uma biblioteca ganhou o nome de Carlos Drummond de Andrade e, em 2007, foi implantado o jardim Veredas de Rosa, um tributo a João Guimarães Rosa. 

Ivo Pitanguy conta que o pequeno período que estudou no Arnaldo foi suficiente para guardar na memória boas lembranças do lugar. “Quando ingressei no colégio tinha apenas 12 anos. Mas me lembro das rígidas regras que a escola estabelecia aos alunos. Essa breve temporada marcou a minha vida, tanto pelo grau de aprendizagem como pela camaradagem dos meus colegas”, recordou-se.

Decorridos tantos anos, histórias marcantes continuam vivas na memória de muita gente. É o caso da aposentada Karine Barbosa, de 67 anos, que conheceu seu grande amor quando ainda estudava na instituição. Casada há 43 anos, ela conta que já namorou bastante na porta da escola. “Eu era uma garota atraente e desinibida. E sempre arrumava um namoradinho”, sorriu, lembrando que, por faltar muito às aulas, a mãe era convocada a comparecer à escola com frequência. “Tudo mudou quando conheci um garoto. Ele gostava de estudar e nunca conversava comigo. Certa vez, fizemos uma lição juntos e, aí, foi amor à primeira vista”, disse Karine. Segundo ela, depois disso, começaram a namorar e estão juntos até hoje. “Eu sempre brinco com as minhas netas, dizendo que a escola é o melhor lugar para encontrar um amor inesquecível feito o meu”, afirmou.


Preservação da história de BH

A restauração do edifício começou no ano passado e é resultado do plano diretor apresentado ao Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural Municipal. “Como o prédio foi tombado pelo município, qualquer intervenção precisa de cuidadosa análise técnica e de autorização especial”, explicou o ex-diretor Renê Oliveira. Com previsão de término para o fim deste ano, as intervenções incluem reforma do auditório, do telhado, das torres e das fachadas. Segundo Renê, garantir a conservação do edifício significa preservar a história da cidade. “Este é um prédio de importante valor cultural e histórico para Belo Horizonte”, disse. Além dos reparos, em celebração ao centenário do Colégio Arnaldo, a administração promove ao longo deste ano, uma série de atividades, o que inclui a realização de palestras, debates e torneios esportivos. 


Colégio investe na inclusão social

O Colégio Arnaldo promove atividades e projetos sociais que visam contribuir para o resgate da cidadania, além de procurar despertar nos alunos e familiares os valores da solidariedade, do respeito e da igualdade. Confira as principais ações:

• Páscoa Solidária – Evento realizado todos os anos, reúne alunos da educação infantil ao 5º ano, além de crianças de creches, com o intuito de exaltar a importância da data. Em vez de coelhinhos e ovos de chocolate como guloseimas, os alunos preparam um lanche comunitário com as crianças menos favorecidas e distribuem carinho a afeto.

• Incubadora de Talentos – O projeto consiste em custear as despesas com educação de ensino médio de alunos talentosos de escolas públicas, residentes em Belo Horizonte e com renda familiar de até um salário mínimo. A ação prevê o custeio de mensalidades, uniforme, transporte, alimentação e material escolar.

• Arnaldo Solidário – Realiza o acompanhamento psicológico de famílias, jovens e crianças da comunidade do bairro Taquaril. Além disso, o projeto oferece aulas de artesanato, música, balé, dança e informática. O atendimento é realizado na creche Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro Taquaril, e atende cerca de 260 crianças e adolescentes, além de 20 mulheres adultas.

Postado por Jorge Espeschit em 27/10/2012

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