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Sustentabilidade

Nova ferramenta mede consciência ambiental dos internautas



Que há algumas ferramentas on-line para medir a pegada ecológica, isso todo mundo já sabe. O que poucas pessoas sabem é que também já existe um mecanismo na web para medir a consciência ambiental de uma pessoa. Trata-se doHomeCarbon, criado pela empresa de tecnologia Evolva Projetos.

O objetivo desse sistema interativo é ajudar o internauta a entender qual a sua relação com o meio em que vive e propor alternativas para tornar essa interação mais ambientalmente amigável. “Todos despertaram tarde para a necessidade de mudar. Não são apenas os governos e as empresas as culpadas pela situação”, acredita Rodrigo Lagreca, diretor da Evolva. Por que se coloca cada vez mais carros no mercado? Simplesmente porque as pessoas compram. Existe uma relação de interdependência negativa, cuja solução não deve ser delegada apenas para o governo. Se as pessoas não mudarem hábitos e não se instrumentalizarem para tomarem decisões diferentes, não há política pública que dê conta disso. Por isso é importante a criação de um projeto como o HomeCarbon”, ressalta ele.

Assim, o mecanismo procura entender a inter-relação entre as pessoas e o meio ambiente como elementos integrados. “Os próprios indivíduos precisam se conhecer, percebendo-se como parte de um todo e sabendo que suas ações têm impacto direto no meio em que vivem”, diz Laís de Carvalho, psicóloga ambiental que ajudou a desenvolver o HomeCabon. “O sistema foi desenhado considerando isso: oferecer ao usuário uma vivência interativa que permita a ele refletir sobre a inter-relação de suas ações e hábitos com a emissão de CO2 ou, por exemplo, o gasto em reais equivalente a esse consumo. O intuito é ser um espaço que favoreça essa reflexão ambiental e desperte mudanças apropriadas e conscientes a partir das sugestões que o sistema oferece”, completa.

A ferramenta é simples de ser usada. Basta acessar o sistema pela internet (www.homecarbon.com.br), cadastrar-se e responder aos questionários com perguntas qualitativas e quantitativas. Ao final do processo, surge uma página de resultados como perfil do usuário, o total de suas emissões de CO2, o quanto isso representa em termos financeiros, uma análise de onde vem essa emissão e a progressão disso ao longo dos meses. Além disso, o internauta também encontra sugestões de ações específicas para o seu perfil e, a partir de então, pode voluntariamente assumir alguns compromissos de mudança.

Rodrigo Lagreca e Lais de Carvalho, os criadores do HomeCarbon / Foto: Henrique Andrade Camargo

Acompanhe abaixo um bate-papo entre o Mercado Ético e os criadores do HomeCarbon. Mais do que o sistema, a conversa foi pautada pela mudança comportamental.

 

 

Mercado Ético – Qual o ponto doHomeCarbon?

 

Laís de Carvalho - O Projeto trabalha com um coisa sensível, que é mudar comportamento. As pessoas resistem em mudar seus hábitos.

 

Rodrigo Lagreca – Se fizermos um exercício pessoal, a gente percebe que não quer mudar. Mudar é desconfortável. Tem que repensar ações, rever conceitos. Mexe com uma zona de conforto. Hoje, o sistema tem se tornado muito mais uma ferramenta on-line que agrega algo extra às ações presenciais e, aí sim, usar isso como um argumento mais forte, de fazer a tecnologia se tornar uma aliada a um propósito maior do que delegar a ela uma missão.

 

ME – E como se muda comportamento?

 

LC – De diversas formas. Mas a maneira que escolhemos trabalhar foi primeiramente entender o comportamento dessas pessoas, não como se comportam em termos de certo ou errado, mas a partir do propósito que queremos implantar, que é melhorar qualidade de vida, sustentabilidade, relação das pessoas com os meios em que vivem. Queremos saber como essas pessoas tomam conhecimento desses hábitos, apropriam-se do que fazem no dia a dia.

 

RL – Dá para perceber que a ferramenta que funciona é mudar comportamento por meio de vivências. Dentro de um projeto com perspectiva de continuidade, produzir vivência em ambiente controlado abre a perspectiva muito grande de mudar comportamento.

 

LC – É preciso também criar condições para a mudança. Não adianta dizer para as pessoas pararem de usar carro porque gera emissões e complica o trânsito. Não. Tem que ser algo gradual e inserido dentro do contexto em que a pessoa vive. Qual mudança ela seria capaz de fazer naquele momento e como poderia ir incrementando com o passar do tempo. Também tem toda uma questão ética. Não oferecemos brindes ou dinheiro para que ninguém mude. Oferecemos informações sobre os próprios hábitos delas. Queremos que as pessoas percebam seus comportamento e, ao entendê-los, decidam mudar por vontade própria, para terem uma relação mais coerente com o meio ambiente.

 

ME – Recentemente saiu uma reportagem que ia contra esse argumento. A classe média, segundo o texto, só mudaria seus comportamentos na base de incentivos.

 

LC – Essa é uma questão ética. Como você vai oferecer dinheiro para uma pessoa mudar comportamento? Você vai continuar oferecendo esse dinheiro até o fim de sua vida?

 

RL – É a mesma coisa que dizer que as pessoas só passaram a usar cinto de segurança por conta da multa. A multa ajuda, mas existem outras ideias envolvidas nisso. As vezes meias verdades são propagadas com tal amplificação que passam a ser vistas como verdades absolutas. Então se você der dinheiro para alguém mudar comportamento, talvez até mude. Mas nós aqui trabalhamos com a ideia de que a mudança é mais sólida e duradoura se for elaborada e construída do que se for incentivada.

 

ME – Antes de criar o HomeCarbon, a Evolva já trabalhava com mudança de comportamento para a sustentabilidade, mas em outro âmbito. Na época, o trabalho era voltado ao combate da pirataria de produtos.

 

RL – Começamos exatamente dessa forma, em um projeto dentro de uma escola para combater o consumo de produtos piratas. Depois evoluiu para um projeto que trabalhava também com outros atos ilícitos socialmente aceitos, como o chamado “gato de energia elétrica”. Quando estávamos estudando a implementação desse projeto, percebemos que o que queríamos oferecer era uma mudança de hábitos de consumo de serviços. Isso disparou um gatilho dentro da nossa cabeça, de que o nosso projeto servia um ideal mais amplo, que ia além da pirataria e dos jeitinhos. Também poderíamos ter um viés ambiental muito forte dentro de uma perspectiva comportamental. Assim, o objetivo do HomeCarbon é mudar comportamento e criar a cultura da sustentabilidade.

 

ME – Como o HomeCarbon ajuda o internauta a mudar comportamento?

 

LC – A ferramenta está divida em seções. Depois de se registrar e fazer o login, o internauta vai responder a uma série de perguntas, começando por questões comportamentais sobre seus hábitos diários. Depois vem uma análise mais quantitativa, como consumo energético, de alimentos, transporte e resíduos que gera. Ao final do questionário, surge uma página de resultados como perfil da pessoa, sua emissão de CO2, o quanto isso representa em dinheiro, uma análise de onde vem essa emissão e a progressão disso ao longo dos meses.

 

Além disso vem o que talvez seja a parte mais interessante, que são sugestões de ações. Elas são lincadas a partir das respostas do usuário. Então, se você não come carne, as ações serão específicas para quem é vegetariano. Também é possível escolher as ações que você escolhe adotar. É um tipo de compromisso voluntário.

 

A partir disso, o sistema também procura criar um senso de comunidade, com o ranking das pessoas mais conscientes do ponto de vista da sustentabilidade e as que conseguiram diminuir mais suas emissões. Isso dá visibilidade às ações de cada um, o que também é um fator importante em termos de mudança de comportamento.

 

RL– Todos despertaram tarde para a necessidade de mudar. Não são apenas os governos e as empresas. Mas por que se coloca cada vez mais carros no mercado? Simplesmente porque as pessoas compram. Existe uma relação de interdependência negativa, cuja solução não deve ser delegada apenas para o governo. Se as pessoas não mudarem hábitos e não se instrumentalizarem para tomarem decisões diferentes, não há política pública que dê conta disso. Por isso é importante a criação de um projeto como o HomeCarbon.

 

(Mercado Ético)

Postado por Jorge Espeschit em 01/11/2012

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