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Patrimônio Histórico e Cultural

Igreja mais antiga da capital, Capela Nossa Senhora do Rosário revela traços históricos de BH


Igreja mais antiga da capital, Capela Nossa Senhora do Rosário revela traços históricos de BH

Entre edifícios altos, trânsito intenso e grande circulação de pessoas, a Capela Curial Nossa Senhora do Rosário segue uma rotina secular. Localizada há 114 anos na interseção da rua São Paulo com a avenida Amazonas, no Centro, a pequena igreja, a mais antiga da capital, já era realidade quando a cidade ainda era conhecida como Curral del Rei. Destoando das construções vizinhas com sua simplicidade e arquitetura eclética, um misto de traços clássico, gótico e barroco, a capela se tornou casa de oração de cerca de 1.500 pessoas por dia. A edificação tombada pelo Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura leva o nome da aparição de Maria a São Domingo de Gusmão e continua exercendo suas funções sem se esquecer da tradição, da fé e da espiritualidade que permeiam sua história.

A Capela do Rosário surgiu em 8 de outubro de 1819, no Largo do Rosário, hoje o cruzamento das ruas da Bahia e Guajajaras. Na época, ela servia os moradores do Curral del Rei, local onde seria implementada a cidade de Belo Horizonte 78 anos mais tarde. “Com um novo traçado de ruas, que davam forma à cidade de Belo Horizonte, viu-se a necessidade de demolir a igreja”, explica o monsenhor Geraldo dos Reis Calixto, que em janeiro do próximo ano completa 18 anos à frente da cúria da capela. “A decisão de demolir a igreja foi concluída quando um convênio estabelecido entre o (então governador de Minas Gerais) Afonso Pena e o bispo de Mariana garantiu a construção de outra capela para atender aquela comunidade”, completa. A obra foi inaugurada no mesmo dia do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no dia 26 de setembro de 1897. Belo Horizonte seria instituída como município oficialmente pouco mais de dois meses depois, no dia 12 de dezembro de 1897.

Durante todo esse tempo, a Capela Nossa Senhora do Rosário sempre funcionou sob o sistema curial, ou seja, sua administração não está vinculada a alguma paróquia. Essa independência faz com que ela opere de forma diferenciada das outras igrejas. “Como a capela não é paroquial, não realizamos casamentos, batizados, crisma e outros ministérios paroquiais, ela se volta para as celebrações de missas, orações, confissões e momentos de reflexão”, explica o monsenhor Geraldo. Ele esclarece que essa condição dá liberdade para que as pregações venham sempre em forma de ensinamentos catequéticos, com o objetivo de tornar reflexivos os diversos discursos bíblicos. “Isso faz com que os visitantes venham verdadeiramente interessados em ouvir a palavra de Deus”, comenta.

Esse é o caso de Maria do Carmo Conrado, de 84 anos, que se desloca do bairro Cabana do Pai Tomás, na região Oeste da capital, pelo menos três vezes da semana para acompanhar as missas na pequena igreja. Ela conta que conheceu a capela sem saber que era dedicada a Nossa Senhora do Rosário, santa pela qual é devota e que lhe traz boas memórias. “A primeira vez que entrei aqui fiquei encantada quando vi a imagem dela no altar! Voltei ao meu tempo de menina, quando participava das Festas do Reinado. Lembro que meu pai colocava a imagem de Nossa Senhora na mesa e convidava os grupos para dançar em volta”, disse a aposentada sobre o tempo de criança, quando morava em Divinópolis. 


Rotina

O público presente nas missas da capela é composto por rostos diversos. A cerimônia das 11h, por exemplo, é sempre muito requisitada por estudantes mais jovens, trabalhadores e moradores da região, além dos fiéis de diversos cantos da cidade e de diferentes idades que creem em Nossa Senhora do Rosário. A média de público é de 170 pessoas por celebração. Além dos visitantes participarem de confissões, enviar pedidos de intenção de missa, eles podem se encontrar pessoalmente com o monsenhor da capela, que dedica uma hora do seu dia para ouvir os fiéis em seus assuntos mais urgentes. A capela ainda oferece uma sala exclusiva para a devoção dos visitantes, que simbolicamente acendem velas para realizarem suas orações pessoais. Na própria igreja é possível comprar as peças por R$ 0,40 a unidade. O horário de funcionamento de segunda a sexta-feira é das 8h às 20h. Aos sábados, domingos e dias santos ela abre às 16h e fecha as portas às 19h30. 

Participante assídua das missas matinais, a estudante Emalise Avelino Abreu, de 23 anos, disse que seu contato com a capela se deu pela localização, por ser próxima de onde ela mora. Porém, desde que mudou para Belo Horizonte para tentar uma vaga no curso de medicina, a jovem de Ipatinga está satisfeita com o que aprende e pratica neste momento de religiosidade. “Quando venho à capela é minha hora de refletir sobre tudo o que está passando na minha vida. É tempo de agradecer, de pedir, de rever alguns comportamentos. Tenho muita fé em Nossa Senhora do Rosário e ela tem sido uma ótima intercessora”, afirma.


Inspirado em São Domingos de Gusmão





Não se sabe ao certo a origem da devoção a Nossa Senhora do Rosário, mas sua propagação tomou impulso com São Domingos de Gusmão. Foi por sua inspiração que o sacerdote espanhol fez do rosário, objeto constituído como um colar para contabilizar as orações, sua poderosa arma para combater a heresia comedida pelos povos albigenses, em suas cruzadas. Esses movimentos militares ocorreram no início do século 13, quando os conflitos armados cresciam vertiginosamente na França. 

São Domingos é conhecido também, por ser o fundador da Ordem Dominicana. E por essa vida movida a dedicação, intensa propagação e devoção, a Igreja lhe conferiu o título de Apóstolo do Santo Rosário. Algumas versões históricas afirmam ter Nossa Senhora aparecido para São Domingos segurando o Menino Jesus no colo e oferecendo-lhe o rosário. Os registros ainda trazem que a divulgação da imagem partiu de um pedido da própria Maria ao sacerdote.

Atualmente, Nossa Senhora do Rosário é a santa padroeira de várias cidades do Brasil, como Pirenópolis, em Goiás, Delmiro Gouveia, em Alagoas, e Remanso, na Bahia. A santa é também padroeira na freguesia de Alferrarede, em Portugal.

Postado por Jorge Espeschit em 14/02/2013

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