BH em Debate
Você está em : Inicial > BH em Debate > Vocações

Vocações

Museu Inimá de Paula garante pluralidade cultural no Centro de BH


Museu Inimá de Paula garante pluralidade cultural no Centro de BH

Um dos prédios mais representativos do estilo arquitetônico usado no início do século passado na cidade ainda pode ser apreciado no Centro de Belo Horizonte. Construído no fim da década de 1920 em estilo art déco, padrão decorativo onde predominam linhas retas ou circulares estilizadas, formas geométricas e design abstrato, o prédio fica em uma das mais importantes vias da capital, a rua da Bahia, na esquina com a avenida Álvares Cabral, e abriga hoje o Museu Inimá de Paula. O local, por onde celebridades do rádio e amantes do cinema já passaram, oferece agora uma programação cultural voltada principalmente às artes plásticas, mas recebe também coleções e eventos diferenciados, ajudando a manter Belo Horizonte na rota cultural do país, oferecendo conhecimento aos moradores de nossa cidade. 

O prédio foi edificado na era modernista, que marcou o acelerado crescimento da cidade. Na rua da Bahia começavam a ser instalados comércios de luxo, belas residências, livrarias e casas com opções de lazer no caminho rumo à Praça da Liberdade e ao palácio do governo estadual. Em 27 de novembro de 1926, foi lançada a pedra fundamental do Clube de Belo Horizonte, primeira instalação do edifício. O projeto foi de autoria do arquiteto Luiz Signorelli, um dos fundadores da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o italiano Rafaello Berti. A finalização das obras se deu em 1928. Serviu ainda de sede da Rádio e do Cinema Guarani, além do extinto banco estadual Minascaixa, até abrigar a companhia da Polícia Militar de Minas Gerais. A partir de 2006, após registro de obras do artista plástico mineiro Inimá de Paula, a fundação responsável pela administração do museu deu início à viabilização do projeto e concretizou em 2008 um antigo sonho.

 



Divididos em três ambientes distintos, em um total de 3 mil metros quadrados, o edifício passou por um processo de restauração para abrir suas portas. Guarda ainda 1.300 m² de piso original de taco e teve suas 120 portas e janelas totalmente recuperadas. O projeto de restauração e adaptação do novo bem cultural, tombado pela deliberação 110 do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte (CDPCM/BH) previa a manutenção das paredes laterais do elevador no hall principal, espelho e demais ornamentos e revestimentos originais; da porta pantográfica do elevador no pavimento térreo; de salas de planta circular existentes no segundo e terceiro pavimentos em frente ao elevador; a recomposição da cobertura original em telha francesa; manutenção das muretas laterais do hall principal; novo estudo para a escada de circulação vertical proposta de modo a minimizar o contraste; apresentava nova proposta cromática para as fachadas de modo a realçar a profundidade entre os ornamentos e os panos de fundo. O antigo cinema é hoje cine auditório e teatro capaz de receber 140 pessoas. “Este espaço é importante em Belo Horizonte por ter abrigado os saudosos Rádio e Cine Guarani e o Clube Belo Horizonte. A restauração é mantida diariamente, com o objetivo de ser um lugar de memória e divulgação cultural por diversas gerações”, afirmou Gabriella Navarro, coordenadora de Arte e Educação do Museu Inimá de Paula.

Inimá de Paula

Se estivesse vivo, Inimá completaria 94 anos neste ano. Nascido em 7 de dezembro de 1918, o mineiro de Itanhomi passou parte da vida entre Rio de Janeiro, Juiz de Fora, Salvador e Fortaleza. Morou também em Paris, onde estudou com artistas plásticos franceses. Suas obras estão distribuídas por diversos museus do Brasil. Ao todo, foram catalogadas 2 mil peças do artista, porém os curadores estimam que seus trabalhos superem 5 mil. 

 



No museu, que tem entrada gratuita, estão expostas aproximadamente 80 obras rotatórias (já que anualmente elas são substituídas por novas a fim de manter um acervo diversificado), além de documentos, objetos pessoais, instrumentos de trabalho e livros de Inimá. Ele morreu em Belo Horizonte em 1999. “Inimá de Paula é um dos pintores mais importantes do cenário nacional, por sua grande produção e características de estilo fovista ao retratar paisagens e cenas do cotidiano. Belo Horizonte foi o local escolhido por ele para a produção artística nos seus últimos anos de vida, sendo considerado posteriormente pelos membros da Fundação Inimá de Paula como local ideal para apresentar aos mineiros a vida e a obra de um dos precursores da arte moderna nacional”, disse Gabriela. O fovismo é um estilo de pintura que realça as cores em seus desenhos.


Mostras recentes

Recentemente, a cultura maia foi evidenciada nos espaços do museu. Ela vem sendo lembrada com mais frequência, neste ano, devido à história de que o calendário desta comunidade teria marcado o fim do mundo no dia 21 de dezembro. Para apresentar esses costumes e crenças, foi exposta no Museu Inimá de Paula a mostra “Rabin Ajaw – a filha do Rei”, que trouxe vestuários e adereços, cerâmicas e nuances misteriosas sobre a cultura maia, entre elas a que diz respeito à data que marcaria o fim do mundo. 

“Os maias sabiam fazer projeções aritméticas e construíram um calendário de 300 dias, mais voltado para as questões da agricultura e das colheitas”, afirma o curador da mostra, Luiz Dolino, que se diverte ao explicar a famosa data do fim do mundo. “Com a invasão espanhola, houve a diáspora das tribos e os sábios que cuidavam dessas matérias sumiram, fugiram e se separaram. Só por esta razão, o calendário parou de ser calculado em 21.12.2012”, conta. 

Uma exposição instalada no ano passado explorou os altos e baixos da vida, inserido no cotidiano em que vivemos. A artista plástica belo-horizontina Juçara Costta usou escadas como metáforas na exposição “Uma Perna Cansada de decifrar estrelas, por isso preciso inventar escadas”. A exposição, composta por aproximadamente 25 escadas de diversos tamanhos, técnicas e variadas telas, ficou em cartaz cerca de dois meses em 2012 no Museu Inimá de Paula e teve entrada gratuita.

 

 

Postado por Jorge Espeschit em 12/05/2013

Pontuação

Média: 5.0
Avalie
12345


0 Comentário para "Museu Inimá de Paula garante pluralidade cultural no Centro de BH"
Seja o primeiro!

Faça seu Comentário

*Todos os campos são obrigatorios













Desenvolvido por JeffBastos