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Patrimônio Histórico e Cultural

Edifício Acaiaca, marco da arquitetura da capital e palco de muitas histórias



Do alto do Edifício Acaiaca, situado na avenida Afonso Pena, entre as ruas Espírito Santo e Tamoios, no Centro de Belo Horizonte, é possível ver quase toda a cidade. É o prédio mais alto de BH, com 120 metros de altura e 30 andares. Inaugurado em 1943, o Acaiaca foi projetado em formas geométricas pontiagudas e angulares, estilo art déco, e possui duas faces de índios na fachada, esculpidas pelo engenheiro Luiz Pinto Coelho. Palco de muitas histórias, o edifício já abrigou cinema, lojas de roupas femininas, boate, escola e serviu de também como espaço para a criação de grupos políticos. Hoje o local reúne escritórios de advocacia e de odontologia. O porão, atualmente usado apenas para carga e descarga, serviu como abrigo antiaéreo, já que a ideia era se defender de um suposto ataque alemão à cidade, uma vez que o edifício foi construído durante a Segunda Guerra Mundial.

João Alves é um dos mais antigos funcionários do Acaiaca, ao qual dedicou mais de quatro décadas em diversas funções. João começou como faxineiro e hoje é ascensorista. Ele lembra a época em que o edifício abrigava a TV Itacolomi, na década de 1960, quando o edifício reunia muitos artistas e curiosos. “Naquele tempo o Acaiaca também tinha uma boate que era frequentada, principalmente, pela alta sociedade e pela classe política”, conta. Otacílio Negrão de Lima, então prefeito da capital, era presença confirmada em quase todas as noites. Existia também o Cinema Acaiaca, que tinha capacidade para 900 pessoas, e para o qual se formavam grandes filas de espectadores. No espaço que abrigava o antigo cinema, hoje funciona uma igreja evangélica.

O edifício também foi palco de acontecimentos políticos como o que foi registrado no 11º andar, onde surgiu os Novos Inconfidentes, grupo empresarial que se reunia para planejar um golpe de estado. O objetivo era acabar com a ameaça comunista que, segundo eles, estava próxima. No mesmo andar, funcionava o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem. Além disso, a sede mineira do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também funcionaram no Acaiaca, o que tornava o prédio um polo de cultura.

 

Lenda indígena

Próximo ao Arraial do Tejuco, hoje cidade de Diamantina, havia uma poderosa tribo de índios que vivia em constante luta com os tejuquenses e, inclusive, invadiam o arraial em alguns momentos. No local havia um grande cedro que os índios, na sua língua, chamavam de “Acaiaca”. Contavam eles que, no começo do mundo, o rio Jequitinhonha e seus afluentes encheram-se tanto que transbordaram, inundando tudo. Os montes e as árvores mais altas ficaram cobertas e todos os índios morreram. Somente um casal escapou, subindo na Acaiaca. Quando as águas baixaram, eles desceram e começaram a povoar a terra de novo. Os índios tinham, portanto, grande veneração por essa árvore e acreditavam que se ela desaparecesse, a tribo também teria o mesmo fim.

Os portugueses que habitavam o arraial, conhecedores daquela crença, esperavam uma oportunidade para derrubar a Acaiaca. No dia do casamento da índia Cajubi, enquanto os índios dançavam em comemoração, os portugueses derrubavam a árvore a golpes de machado. Quando os índios viram cair por terra a árvore sagrada, ficaram aterrorizados. Pouco tempo depois da morte da Acaiaca surgiu uma grande desavença entre o cacique da tribo e os principais guerreiros. A desarmonia entre eles terminou em uma luta com muitas mortes. No dia seguinte, os tejuquenses não encontraram o menor sinal da Acaiaca. Diz a lenda que foi a partir dessa noite que os garimpeiros começaram a encontrar diamantes, que surgiram dos carvões e das cinzas daquela árvore sagrada.

Postado por Jorge Espeschit em 29/07/2013

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11 Comentários para "Edifício Acaiaca, marco da arquitetura da capital e palco de muitas histórias"

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  10. Tarcísio dos Reis Vieira 27/11/2013

    Tive a honra de ter nascido em Belo Horizonte, vivido parte desta vida no Bairro dos Funcionário onde nasci. Meu transporte predileto era o Bonde, onde pude nos meus passeios dominicais, conhecer grande parte de minha terra. Desta forma, pude nestes passeios, passar sempre pela maravilhosa Avenida Afonso Pena e ter a possibilidade de parar em frente ao Edifício Acaiaca, e deliciar ao ver aquela maravilhosa arquitetura, que era abençoada por São José, pois estava frente a frente com aquela também maravilhosa igreja. Meu pai, corretor de imóveis, conhecedor profundo de toda a cidade, dizia: Este é o edifício, que nunca irá envelhecer! Seria muito importante,se novamente, o nosso Cine Acaiaca, voltasse a funcionar, assim como o querido Cine Brasil. Temos que urgentemente, recuperar as coisas tradicionais dessa Belo Horizonte, para que os nossos jovens, possam de fato ter orgulho da nossa Capital. Todo prédio deveria ter junto a sua entrada, o marco com a história de sua construção. Parabenizo a todos, que de alguma forma, procuram engrandecer e imortalizar a cultura de nossa BH.

  11. Francina Lúcia Machado Campos 30/07/2013

    Parabéns por BH,ter uma grande reli guia histórica e um grande patrimônio,e grandes lembranças do passado. O meu avô, Salvatore Caniglia ,neta de um artista que aplicou todos os mármores ali existentes até hoje, na construção do Edifício Acaiaca. Deveria ter os nomes de quem construiu,porque faz parte da obra eterna.Ainda mais patrimônio histórico. Na inauguração,só sitavam os nomes de pessoas importantes daquela época, mas os nomes dos operários que deixaram marcas, nunca foi falado. E ele se foi, levando consigo esta frase." meu nome nunca foi citado,vou deixar para BH,um pedaço do que eu fiz, e vocês netos lembrem de mim". Trabalhava como os outros operaŕios também, trabalhavam para criar a família,eles passaram muita fome, e sacrifício,para criar suas família. E hoje os jovens reclamam atoa. e tem de tudo. Para criar a família,veio da Itália, porque a ITÁLIA estava em crise,por causa da guerra. Lutou pela ITÁLIA, foi soldado da 1ªGuerra Mundial levando o seu nome dos poucos sobreviventes da 1ª Guerra Mundial. Ele ajudou a construir as grandes lindas obras que são as secretárias da Praça da Liberdade. Aplicou os mármores no Cinema Paladium,no Banco do Brasil na rua Espirito Santo, e pós os mosaicos nos passeios.etc,e muito mais coisas, fez por Belo Horizonte. Um grande homem,uma grande historia, que não podemos esquecer. Foi o meu padrinho de batismo, onde nunca esquecerei.Pai da minha artista mãezinha. Gostaria de um dia homenagear,mesmo sem ele aqui. Um grande abraço a todos. Francina lúcia

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