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Rede 230

Manifesto

Belo Horizonte, desde sua inauguração em 12 de dezembro de 1897, sofre transformações e vivencia problemas típicos do século XXI. Em 110 anos, o planejado virou caos, a “Cidade Jardim” virou cidade do asfalto, seus quintais foram tomados por arranha-céus, suas montanhas foram ocupadas por ricos e pobres. Os encontros, que aconteciam nas praças que existiam a cada esquina, (e como a cidade tem esquinas!) foram transferidos para os shoppings. As alamedas de ficus e de dilênias em várias avenidas foram destruídas para abrir passagem aos carros.

O crescimento vertiginoso e desordenado gerado pela especulação imobiliária nas décadas de cinqüenta e sessenta, aliada à falta de democracia, participação popular e eficiência na gestão pública fizeram ressurgir, na década de 1970 um intenso movimento re-invidicatório por melhorias urbanas. Era o momento de organização de sindicatos, associações comunitárias, entidades estudantis, o movimento ambientalista e muitas outras organizações.

A redemocratização do País, na metade final da década de 80, e o fortalecimento das forças progressistas e de esquerda permitiram a Belo Horizonte a evolução de sua estrutura social, política e administrativa, o que refletiu de forma favorável na gestão da cidade. Tal fato repercutiu na progressiva melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Contudo, a cidade de Belo Horizonte, continua sofrendo, ao longo dos anos, as conseqüências de um crescimento acelerado, desordenado e muitas vezes predatório, conseqüência de uma globalização econômica perturbadora. Os problemas sociais, o desemprego e o emprego precário, o trânsito e o transporte público deficitário, a qualidade ainda precária dos serviços de saúde e educação públicas, o déficit de creches, a poluição, as favelas e a moradia precária de muitos belo-horizontinos, a exclusão e a desigualdade social, o desrespeito aos direitos humanos, a ausência de cordialidade no relacionamento cotidiano entre os moradores da cidade têm levado nossa juventude à violência e nossa sociedade ao ceticismo e à desesperança de um futuro melhor, reforçando atitudes individualistas e defensivas, ao medo, e à descrença nas políticas públicas e na democracia.

Ao mesmo tempo, Belo Horizonte dispõe de valores humanos, recursos financeiros, econômicos, educacionais, tecnológicos, culturais e sociais. Graças à iniciativa e empenho de governos, instituições públicas e ao grande número de ações novas e contínuas de organização da sociedade civil, empresas de responsabilidade social, terceiro setor e cidadãos conscientes, a cidade de hoje é, em alguns aspectos, melhor do que a de ontem.

Todavia, em virtude da interrupção, paralisia ou lentidão de alguns bons projetos, a desarticulação entre as ações da sociedade, a descontinuidade de políticas públicas, a falta de coordenação entre políticas governamentais e projetos da sociedade civil, além do desencontro entre problemas, carências, soluções e recursos, não estão permitindo que a cidade se desenvolva de forma sustentável, isto é, de forma a viabilizar no curto, médio e longo prazos uma vida melhor para os seus habitantes.

O envolvimento de cada cidadão é o caminho para recuperar a confiança da população nos processos políticos e valorizar a democracia participativa e direta, promover o desenvolvimento sustentável e tornar Belo Horizonte uma cidade que ofereça qualidade de vida a seus habitantes e às futuras gerações.

Pela visibilidade e importância da cidade de Belo Horizonte, este processo poderá tornar-se exemplar, demonstrando que a nossa Belo Horizonte tem como importante patrimônio as sementes de uma outra cidade possível.


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