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Rede 230

Princípios

Toda opção política e ideológica, fundada em sincera opção pessoal e coletiva pelas transformações sociais e políticas necessárias à democratização do Brasil, sua integração soberana no mundo e à melhoria progressiva das condições de vida de sua população deve estar baseada em princípios e valores. Os nossos são:


IGUALDADE
Afirmamos, em primeiro lugar, a igualdade entre os cidadãos como valor central. Essa centralidade não significa, para nós, disposição para sacrificar outros valores, igualmente importantes, ainda que temporariamente ao objetivo de conseguir a igualdade. Significa, simplesmente, que para nós a igualdade é condição para a realização plena dos demais valores: sem igualdade, a liberdade e a ética não são completas.

Esse é o norte que nos orienta. Uma sociedade absurdamente desigual como o Brasil não será revolucionada apenas a partir da ação voluntária dos cidadãos no plano da sociedade civil. Tampouco as forças do mercado, deixadas a seu livre jogo, produzirão eqüidade e justiça, como pretendem alguns. A política é necessária. A ação política deve estar voltada para esse objetivo: articular esforços do Estado com iniciativas da sociedade civil de maneira a produzir uma sinergia capaz de superar o dualismo social e econômico que impera entre nós a montantes compatíveis com a dignidade humana.


LIBERDADE
A liberdade individual tem para nós uma significação nova. A experiência do socialismo real e, ademais, toda a experiência histórica da humanidade, nos ensinam que a liberdade não é postergável, não pode ser guardada para o futuro, para um momento posterior ao da construção da igualdade. Ambos os valores marcham juntos e seu conflito eventual não pode ser resolvido pelo simples cancelamento de um deles.


DEMOCRACIA
Em política, igualdade com liberdade tem um nome: democracia. Radicalizar a democracia é um dos princípios reitores do nosso projeto. Nesse sentido o aperfeiçoamento dos mecanismos de representação política é uma tarefa importante, mas não a única. Mais democracia implica também formas de manifestação direta da vontade popular, descentralização de poderes, revigoramento do poder local e uma nova relação do Estado com a sociedade civil.


SOLIDARIEDADE
Afirmamos o valor da solidariedade entre os homens, derivado da identidade básica da espécie humana, que transcende toda diferença de caráter étnico e cultural. Na tradição da esquerda, trabalhamos por ampliar a solidariedade, incorporando todos os grupos de excluídos em sua rede.


ÉTICA
A afirmação da ética na política decorre dos valores já apresentados. A violação de regras estabelecidas democraticamente e o uso das instituições em benefício de indivíduos ou grupos são uma fraude aos cidadãos a quem o aparelho de Estado deve servir. O compromisso com a ética deve ser automático, evidente, comum a todas as correntes políticas. Em nosso país, a quebra das normas mais elementares da ética tornou-se cotidiana na política e os agentes públicos precisam afirmar esse princípio.


SUSTENTABILIDADE
A relação entre os seres humanos e o meio circundante é matéria fundamental. Propomos o valor fundamental da sustentabilidade. Ao crescer o poderio do homem sobre o restante da natureza, o risco de mudanças perniciosas e irreversíveis torna-se maior. Na tradição da esquerda, a continuidade do meio ambiente sempre apareceu como última prioridade, sempre sacrificada aos objetivos mais importantes do desenvolvimento econômico e social. Hoje, não pensamos dessa forma. A solidariedade, para nós, se estende às gerações futuras, a quem devemos legar o estoque de recursos naturais em toda a sua riqueza e diversidade. Esse princípio deve prevalecer sobre qualquer interesse particular, individual ou coletivo.


INTEGRIDADE – O CIDADÃO DO MUNDO
Afirmamos, finalmente, como valor, a integridade da espécie humana. Na tradição do internacionalismo, repudiamos a utilização das fronteiras nacionais como instrumento de opressão e discriminação. Somos contra toda forma de xenofobia e racismo. No nosso horizonte utópico está um mundo que relegará aos museus a categoria estrangeiro. As forças que o processo de globalização está desencadeando criam os meios para a superação do atavismo, do preconceito, da mesquinhez de etnias e localidades particulares. Embora tornem possível o recrudescimento temporário dessas visões estreitas, abrem o caminho para a afirmação de cada ser humano como cidadão do mundo.

Tal visão universalista não deve ser confundida com a negação do espaço local como dimensão real e importante na vida das pessoas. A solidariedade, a igualdade, a democracia, como valores universais, só se afirmam verdadeiramente quando exercitadas no plano local. Entender a importância do local na construção de um mundo mais justo, marcado por valores universais, é o nosso desafio. A tarefa é de grande complexidade, pois exige atenção permanente, de modo a evitar a possibilidade de a importância da instância local ser usada como base para qualquer negação dos valores universais, para o exercício da xenofobia ou para justificar discriminações de qualquer tipo.

Uma das dimensões do processo de globalização resulta fundamental para a proposta de uma democracia mundial: a circulação em tempo real de informação, de dados, de idéias e valores. Essa situação aponta para a consolidação e ampliação de consensos a respeito dos valores próprios da democracia. Na perspectiva desse processo, torna-se cada vez mais difícil escamotear direitos humanos fundamentais no interior de espaços nacionais. A exclusão social e política que domina boa parte do planeta desperta, nessa situação, indignação maior e cada vez mais é vista como anomalia a ser superada.


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