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COMPROMISSO 4 – RENOVAR A POLÍTICA

A política deve ser entendida como a arte ou a ciência de governar ou organizar as questões públicas, objetivando regular e melhorar as condições existenciais dos cidadãos. Ela é importante porque modela a vida em sociedade e tenta garantir que os interesses da comunidade sejam preservados e os direitos individuais ampliados.

No Brasil, como resultado de uma cultura política elitista e autoritária, o atual sistema político partidário fomenta o aparecimento de grande número de pessoas sem nenhum compromisso com os sonhos e os interesses do conjunto da sociedade e com as grandes questões republicanas, agindo como se o Estado e suas instituições fossem meros espaços de seus interesses. Cria-se, então, um campo propício para a demagogia e a enganação, assim como para constantes atos de corrupção, envolvendo políticos, empresários e funcionários públicos, e a consequente impunidade dos seus autores.

Daí a política ser considerada, pela maioria dos brasileiros, como algo nocivo e pernicioso, como ação corrupta e corruptora, indigna de ser praticada por uma pessoa séria e responsável. Em todas as pesquisas que medem o grau de confiança da população em diferentes instituições, as organizações políticas – partidos, parlamento e governo – ocupam as posições mais baixas. Repulsa, desprezo e indignação são sentimentos comuns quando se pensa ou se comenta a política. É que, de um lado, vê-se a política como uma atividade específica de elites e figurões, de gente graúda ou de seus apadrinhados, e, de outro, é vista como um trampolim para certas pessoas “vencerem na vida”. Nada mais seria que um vale-tudo, em que não há princípios nem escrúpulos, os fins justificando todo e qualquer meio, por mais desonesto e absurdo que seja.

As distorções do regime político e do sistema partidário, que sempre levaram milhões de brasileiros à apatia política frente aos governos, aos processos eleitorais, à atividade partidária e à própria deterioração da situação social, desde junho de 2013, provocaram algumas grandes mobilizações de massas, em todo o país. Os brasileiros estão mostrando que não aguentam mais ser um dos povos que mais paga impostos no mundo e não consegue ter assegurados seus direitos mais elementares, em termos de serviços de educação de qualidade, de saúde, de segurança e de mobilidade urbana.

Um dado positivo a destacar é que muitas pessoas honradas e qualificadas que antes evitavam a política, criaram e estão atuando em movimentos cívicos como o Agora!, RenovaBr, Livres, Acredito, Brasil 21, Roda Democrática, dentre outros. Desta forma, o envolvimento com a política transformou-se em uma decisão crescente para homens e mulheres comprometidos com o bem coletivo.

Trata-se de um comportamento extraordinário, considerando-se a pouca vivência democrática (após o regime militar, o país tem apenas 30 anos de democracia, o maior período contínuo de sua história) e ainda o fato de que, historicamente, a criação do Estado precedeu à formação da nação brasileira. Parece-nos essencial repisar este ponto, pois qualquer exame sério da nossa realidade política deve levar em conta esta circunstância essencial: em mais de cinco séculos, o Brasil foi colônia de um país absolutista (1500- 1822), situação a que se seguiu um regime político e socioeconômico que tinha como pilar central a escravidão (1822-1889), e viveu três períodos republicanos de restrição maior ou menor à democracia política: a República Velha (1889-1930);  o Estado Novo, de Vargas (1937-1945); e a ditadura militar (1964-1985).

Somente após o fim da Segunda Guerra Mundial é que vivemos nossa primeira experiência democrática-liberal (1945-1964), ainda assim sob algumas restrições, como a proibição do funcionamento legal do Partido Comunista Brasileiro em quase todo esse período, experiência que criou condições para o crescimento das reivindicações populares e democráticas, e viu governos democráticos e tolerantes, como o de Juscelino Kubitscheck. As promessas de associar mudança social às liberdades civis foram sufocadas pelo golpe de 1º de abril de 1964, que instaurou um regime militar que perdurou mais de duas décadas. A plena democracia política somente foi restaurada com a promulgação da Constituição de 1988, marcada pela definição do Estado democrático de direito, aberto às transformações sociais.

Como fruto deste avanço fundamental, resultaram duas importantes conquistas: a democracia política e uma certa estabilidade econômico-financeira, além da abertura para políticas sociais distributivistas. Logo em seguida, entretanto, o imenso peso de nosso passado patrimonialista harmonizou-se, sem maiores dificuldades, nos governos FHC e Lula, a uma política econômica de viés neoliberal, marcada pela predominância dos interesses do setor financeiro, e a ausência de projetos realmente estruturadores de novos rumos para a sociedade brasileira (como as chamadas reformas de base), mesmo que tenha havido avanços importantes.

Este cenário de profundo distanciamento entre a política que desejamos e a atualmente existente, após o desgoverno de Dilma e o comportamento pouco democrático e pouco republicano do Partido dos Trabalhadores, está deixando claro para todos que a hora é de mudar e nos faz refletir sobre os caminhos que devemos tomar. Diante desta realidade e frente a tamanho desafio, cresce nossa responsabilidade. Cresce porque não temos o direito de nos negar à participação efetiva em relação aos assuntos que dizem respeito a nossa gente e a nossas vidas. Cresce porque não podemos nos conformar com o quadro de desigualdade e miséria, de corrupção e de insegurança, que se abate sobre milhões de brasileiros e o país.

Porém, precisa-se dar um primeiro passo: cada brasileiro se convencer da necessidade de fazer política, arregaçar as mangas e se lançar na luta. Ao lado disso, que se desenvolvam esforços para devolver à política seu caráter ético e de serviço para o bem da sociedade. Querer fazer política é, antes de tudo, abdicar de projetos somente pessoais em prol de servir ao público. De desejar, a partir da nossa efetiva participação, influenciar na construção dos destinos de todos. Homens e mulheres de bem, que não se apequenam diante de suas responsabilidades, devem abraçar a política como um forte instrumento para a concretização das aspirações que não são apenas de uma pessoa ou de um grupo ou de um partido, mas de todos, na busca de construção de um país mais democrático, republicano e com oportunidades para todos.

Para melhor entender o papel da política numa determinada sociedade, tem-se que considerar, por exemplo, que: a) a atividade do sindicato ou da associação se vincula à busca de soluções para os problemas profissionais, de melhores condições de trabalho e de vida para os trabalhadores; b) a da associação de moradores se preocupa com as questões ligadas ao local de moradia, e de um determinado bairro; c) a da paróquia ou do templo religioso se relaciona com os aspectos espirituais, numa área de abrangência específica. E assim por diante. Como se pode perceber facilmente, a atividade política é a única que solda todas as demais ações humanas em prol do encaminhamento das questões maiores e essenciais da sociedade, desde as do município, passando pelas do estado e as da União. É a mediadora das esferas fundamentais da vida coletiva.

Nada fazer não é uma opção. Sendo omisso ou alheio às questões políticas, o cidadão está também fazendo política, pois está permitindo que pessoas descomprometidas com a sociedade continuem usando a política em seu benefício, único e exclusivo, ou do seu grupo. A apatia e o desprezo com que muitos brasileiros encaram o funcionamento do nosso sistema político é o principal combustível que alimenta a corrupção, o desmando, o desrespeito às autoridades. Daí a importância e a necessidade de todos fazerem política. É como num jogo de futebol. Ficar na arquibancada – torcendo pelo seu time – ajuda, mas quem decide o resultado da partida é quem está no campo jogando. É também como num incêndio. Tem importância gritar e pedir socorro, mas para apagar as chamas precisa-se agir.

Para resolver o jogo da vida e apagar o incêndio dos problemas é preciso agir. É preciso fazer política. E isso pressupõe desenvolver atividades política e partidária em prol da comunidade, mas também agir para evitar que pessoas deixem de comparecer aos locais de votação ou mesmo que, indo cumprir seu dever de cidadão, no dia das eleições, queiram apenas então votar em branco ou nulo.

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